Acessibilidade
Contraste

Você poderá visitar as exposições da Galeria Sesc sem sair de casa. Em 2020, o projeto será desenvolvido no formato digital e com a realização de agendamentos para visitas mediadas às exposições, que serão desenvolvidas por uma mediadora em Artes visuais. O tour virtual de cada exposição estará disponível no nosso canal do youtube Sesc RN, como também no link abaixo. A primeira exposição será do artista Pedro Feitoza e a seguir, você pode conferir o texto curatorial da mostra.

2021

Exposição Um Lugar de Memória

5 de novembro a 22 de dezembro de 2021

 

[linha dos afetos] ela faz um traçado contínuo e ilimitado, que emerge de atração e repulsa dos corpos, em seu poder de afetar e serem afetados. Mais do que linha, ela é um fluxo que nasce “entre” os corpos: ora veloz, apressada, elétrica, ora lenta e lânguida(...); ora exuberante, viçosa, brilhante, ora cansada e esmaecida; ora desenvolta, enérgica, ora tímida e vacilante; ora fogosa, incandescente, ora apagada e fria; ora revolta, trepidante, turbulenta, convulsiva, acidentada, ora estável, compassada. homogênea, lisa, mansa e até monótona...

Suely Rolnik

A exposição, Um Lugar de Memória, apresenta uma série de oito trabalhos da artista-pesquisadora Louise Gusmão que, a partir do uso da linha-matéria, desenha e pinta seus afetos e memórias. A série de trabalhos apresenta o uso de materiais cheios de significados/memórias no percurso da artista, como os lenços, lençóis e toalhas bordados por sua avó, que são ressignificados a partir do registro e posterior intervenção do seu desejo, que tenciona a apresentação dos afetos na matéria, a partir do ato de bordar, transformando afetos em matéria/linha. Os trabalhos também apresentam registros das mãos de bordadeiras, suas marcas e as imagens que emergem das narrativas que contam, das histórias de suas vidas, que assim como a artista, teve seu início no campo do artesanato e que trouxe para a arte seus saberes-fazeres contando sua história a partir do feminino que transpassa os trabalhos.

Não, não é artesanato. Na História da Arte brasileira até o início do Modernismo, a arte era dividida por gênero: havia a arte dos homens e a arte das mulheres. Aos homens era permitido fazer trabalhos apresentando cenas mitológicas, históricas e paisagens; às mulheres era permitido fazer trabalho em temas “menores”: domesticidades, retratos, cenas da casa, flores, naturezas-mortas. Só com o pioneirismo de Anita Malfatti (1889-1964), que passa a romper com esses paradigmas e com a força das mulheres que lutam para romper com esse legado. Hoje, observamos como a arte têxtil vem tomando esse lugar de luta e resistência, as linhas são fortes e cortantes, resistência contra os preconceitos, contra esse lugar aonde as mulheres foram colocadas. Na História da Arte do Rio Grande do Norte, também temos exemplos desse legado, principalmente quando artistas-medalhões contratavam dezenas de bordadeiras para compor e preencher seus trabalhos e não as era dado os créditos pela participação na produção. As mulheres eram as trabalhadoras (faziam artesanato, preenchiam os desenhos) e o grande artista fazia arte.  Às mulheres, na História, sempre foi dado o lugar de “amadora” de “não-profissional”, de artesanato, lugar esse que a artista-pesquisadora Louise Gusmão traz em cada linha tensa de sua vida plasmada em pontos e caminhos.

Artur L Souza Maciel

Artista-curador-etc.

 

Para visitar a exposição virtual clique aqui.

Para agendar uma visita mediada virtual: 3133-0360 (Ramal 250) ou galeria@rn.sesc.com.br

 


Exposição Igbá Ayó Ò?Dàrà: O Universo Mítico dos Orixás

17 de agosto a 1º de outubro de 2021

Texto: Alex Onilodé

De Exú a Oxalá, Adaayo propõe um mergulho profundo na cosmopercepção iorubá através da exposição “Igbá Ayọ́ Ọ̀dàrà – O Universo mítico dos Orixás”. A multiartista faz uma oferenda visual-poética com colagens e poesias que circulam a matriz africana da religiosidade cultivada na diáspora afropindorâmica e oferta a possibilidade de imersão em uma viagem visceral de retorno à “Mãe”. Assim, com estética arrojada, a exposição contribui para constituir novos trânsitos no atlântico negro, ao valorizar elementos e símbolos do Candomblé para recontar a história por meio da arte com influências afrodiaspóricas e contra coloniais.

Logo, o percurso proposto flui, como se guiado fosse pelas correntezas de um rio para desembocar em quedas d’agua de intensas reflexões sobre a corporalidade e a estética negra. Ipadê que abre caminhos para provocar perguntas a respeito do lugar da/o negra/o na sociedade brasileira e por que as religiões de matriz africana são perseguidas, como também busca valorizar a identidade negra, o Candomblé e a arte produzida por pessoas pretas.

Desse modo, ao dançar no Xirê visual-poético, somando elementos visuais, textuais, sonoros com objetos simbólicos, a performance ofertada pela exposição apresenta o universo dos orixás de forma criativa e cativante. A potência estética que marca o trabalho de Adaayo tem intima conexão com a ancestralidade africana expressando conteúdo riquíssimo, por meio de signos, sussurros poéticos e do silêncio. Finalmente cabe aos curiosos pedir agô para saborear sua arte ancestral, adentrar este universo misterioso, se permitindo aprendizados e trocas profundas.

 

Para visitar a exposição virtual clique aqui.

Para agendar uma visita mediada virtual: 3133-0360 (Ramal 250) ou galeria@rn.sesc.com.br

 


Exposição Fotográfica Reolhar

15/06 a 30/07

Texto: Sesc RN

A exposição fotográfica Reolhar, do artista Borges Potiguar, surge no período da pandemia de Covid-19, no cotidiano do olhar para o outro, de nos olharmos e nos estranharmos, fazendo uso de um artifício que parece ser a nossa segunda pele- a máscara. Esse elemento cobre a nossa boca, nosso nariz e, à medida que esconde parte do nosso rosto, revela a profundidade do sorriso com a alma e com os olhos.

Nesse contexto, na arte da fotografia isso não é e nunca foi diferente. A câmera capta uma paisagem para além daquilo que os olhos do cotidiano conseguem captar. Ela revela o outro como ele é naquele instante. Borges afirma que “de início, comecei a andar pelas ruas com a minha câmera na mão e passei a achar muito estranho ter que fotografar as pessoas com máscaras. Era como se tivesse retirado a poética da foto, além da expressão do rosto e a identidade do lugar, descaracterizando a cultura de cada espaço’’.

Borges Potiguar é artista e professor de teatro, natural de Currais Novos/RN. Atua nas artes cênicas, na fotografia, e é formado em Teatro com pós-graduação em Dança pela UFRN. Atualmente é professor de teatro no Colégio Salesiano, nas unidades em Natal e Nova Parnamirim/RN, onde conheceu a pedagogia de Dom Bosco, que veio a somar com seu trabalho de teatro e dança na escola e na comunidade, com o objetivo de desenvolver uma arte socioambiental. Nessa proposta, desenvolve peças teatrais sociais e figurinos recicláveis. Borges é professor de teatro há 16 anos e compreende a sala de aula como um espaço de criação coletiva. Tem como campo de pesquisa e prática profissional “o corpo-espaço-perceptivo” nas artes cênicas e na fotografia.

Para visitar a exposição virtual clique aqui.

Para agendar uma visita mediada virtual: 3133-0360 ou galeria@rn.sesc.com.br


2020

Exposição Fotográfica Frases de Busão

Texto: Vanessa Paulo

A exposição Frases de Busão é composta por ilustrações criadas a partir de escritos encontrados nos ônibus que circulam pela cidade. Esses escritos possuem uma grande carga poética e, percebendo isso, a artista Thayná Almeida deu vida à eles com suas aquarelas e seus retratos das curvas femininas, curvas essas que aqui assumem o lugar do empoderamento e não da sensualização.

A partir de nove frases escolhidas pela artista, foram criadas nove ilustrações que se utilizam de cores fortes, cabelos esvoaçantes e silhuetas diversas para expressar a delicadeza que pode existir por trás de cada frase, de cada corpo e de cada movimento.

Frases de Busão busca não só retratar as frases como também aliá-las à beleza feminina que aqui aparece pura e sem padrões. Além disso, leva o público a enxergar e refletir sobre a poesia que parte de lugares inusitados, que muitas vezes se perde no cotidiano, mas que move-se pela cidade e provoca cada leitor que alcança.

Para visitar a exposição virtual clique aqui

Para agendar uma visita mediada virtual: 3133-0360 ou cultura@rn.sesc.com.br


Exposição Fotográfica Nação Zambêracatu

Texto: Marília Negra Flor

A exposição fotográfica Nação Zambêracatu do fotógrafo Pedro Feitoza, contemplada no edital de ocupação da Galeria SESC 2020, reúne fotografias produzidas entre 2017 e 2020 de diversas apresentações públicas do grupo de mesmo nome. O trabalho, compreendido como uma documentação fotográfica, se destaca pela intimidade e sensibilidade em que o fotógrafo procura registrar toda a riqueza e força da simbologia religiosa e expressão cultural que a Nação leva às ruas de Natal. Fundada em outubro de 2012, com o objetivo de fortalecer e difundir a cultura afro-brasileira no estado do Rio Grande do Norte, a Nação Zambêracatu é sinônimo de resistência da cultura negra, emanando asé (a boa energia) por onde passa, fazendo soar suas alfaias, seus agbês, seus gongues e suas caixas, e encantando com loas (canções) de autoria do próprio grupo. Regida pelo orisà Ogum, grande guerreiro, senhor dos caminhos, dos metais e das tecnologias, carrega em sua musicalidade uma grande referência do Maracatu de Baque Virado, original de Pernambuco. A Nação Zambêracatu possui uma identidade própria, o baque de Zambê, inspirado nessa manifestação negra genuinamente potiguar. O grupo possui uma fundamentação espiritual com a religiosidade afro-brasileira, no Candomblé de Nação Ketu e tem como matriarca a Rainha Maria Lázaro de Oyá. Esta ligação influencia diretamente nos baques que homenageiam os orisàs e seus cultos.

Se utilizando de fotografias em cor e preto e branco produzidas nas três principais apresentações anuais do grupo (Batuque para a Rainha do Mar, Cortejo Abrindo Caminhos e Coroação da Rainha), a seleção fotográfica da exposição tem a capacidade de escrever na memória cultural da cidade desde pequenos detalhes como os figurinos, as bençãos, a composição da corte real, os movimentos de maestria da percussão, as cores do grupo e sua relação com os orisàs, até as relações de companheirismo e afeto entre os integrantes e o significado da Nação como instrumento de combate ao racismo e intolerância religiosa, fortalecendo a construção e afirmação de uma identidade negra em Natal. Em síntese, a exposição nos convida a um verdadeiro mergulho visual no testemunho vivo de resistência e ancestralidade que é a história da Nação Zambêracatu em solo potiguar. Axé!

 

 

Para visitar a exposição virtual clique aqui

Para agendar uma visita mediada virtual: 3133-0360 ou cultura@rn.sesc.com.br

Veja outras notícias